MULHERES QUE ESTÃO CAUSANDO

 


Nesta semana, foram as mulheres que tomaram o primeiro plano da cena da política nacional e internacional. Nancy Pelosi, a Presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, a Câmara dos Deputados de lá, resolveu fazer um périplo pelo Pacífico deixando em suas pegadas forças militares chinesas em demonstração de força até então nunca vistas.

Thomas Friedman, do New York Times, afirma que a visita a Taiwan desaconselhada por Biden foi “imprudente, perigosa e irresponsável. Nada de bom sairá disso”. O experimentado articulista em nenhum momento levanta hipóteses sobre o que teria motivado a decisão da Nancy. Outras opiniões surgidas na imprensa do país argumentam que as razões estariam ligadas ao posicionamento dos Democratas nas eleições de meio de mandato que se aproximam.

Por aqui, onde lugar de mulher ainda é visto como entre o fogão e o tanque, a senadora Simone Tebet consolidou sua indicação como candidata a presidência da república pelo seu partido, o MBD, após vencer resistência da ala fisiológica, desse que foi o grande partido da resistência democrática no longo período de exceção pelo qual passamos, mas que pela sua liderança serena, competente, honesta poderá fazer reviver seus melhores dias.

Não apenas o MDB poderá voltar a ter participação condizente com sua história no tabuleiro político do país, mas também o PSDB ao indicar a senadora Mara Gabrilli para compor, com Tebet, na condição de candidata a vice-presidente, voltará a ter participação respeitada no cenário político eleitoral nacional.

Com orgulho lembro dos votos que depositei em candidatos do MBD de Ulysses Guimarães, de Theotônio Vilela, de Dante Oliveira, O Senhor Diretas Já, de quem recebi bilhetes de elogio por artigos de apoio à democratização que publiquei na seção Recado do Presidente em espaço que o Conselho Regional de Engenharia, do qual eu era presidente, comprava no Correio Braziliense, em plena luta pela redemocratização do país.

A descontração política da época traz-me à lembrança as esperanças que a fundação do PSDB de Mário Covas, de Franco Montoro, em 1988, de crença na social-democracia, com propostas de um Brasil que se desenvolvesse com justiça social e equilíbrio. Há um vácuo a ser preenchido, na palheta das cores ideológicas.

As constantes emendas à Constituição de 1988 desfiguraram o panorama. Surgiram dezenas de partidos-legendas de aluguel. A captura do país pelo populismo demagógico e corrupto conduziu os partidos a serem o que são, MDB e PSDB entre eles.

Simone Tebet é mulher de têmpera, exemplo de dignidade, de honestidade e de espírito público que está trazendo para si a incumbência de restaurar o MDB de seu pai, o saudoso Ramez Tebet. Gabrilli aceitou o desafio que o senador Tasso Jereissati declinou. Partir para uma eleição com as pesquisas indicando 1% ou 2% das intenções de votos é coisa para quem tem coragem..

No lançamento da chapa Simone – Gabrilli, algumas velhas e carcomidas lideranças (que as temem) de ambos os partidos que tudo fizeram para que elas não viabilizassem a candidatura, com gracejos, piadinhas e risinhos tentaram desqualificá-las.

” Amor e coragem” é o slogan escolhido pela dupla. E é disso mesmo que o Brasil precisa. As candidaturas que lideram as pesquisas prometem liça, desavenças, perseguições. O soerguimento da nação pressupõe compreensão, sentimentos de entendimento e conciliação. O feminino é acolhedor e receptivo. Precisamos curar feridas, ter afagos e ouvir palavras de incentivo e confiança. Receber palmadas quando necessário, mas de mães!

A semana era mesmo feminina. O União Brasil lançou Soraya Thronicke, também senadora pelo estado de Mato Grosso do Sul como candidata à Presidência.

Dizem os analistas que a nossa eleição será decidida entre Lula e Bolsonaro, que sempre trabalharam pela polarização do tipo, “a briga é nossa, aqui ninguém entra”, e até conseguiram eliminar candidatos que pareciam ter alguma viabilidade como Moro, Doria e Ciro, este que apesar de continuar na luta, não mostra ter forças para sair do platô em que se encontra.

No meu entender quem tem possibilidade de alterar esse quadro é a dupla Tebet – Gabrilli, pela força da autenticidade que demonstram. Simone não emprestou seu nome para cumprir tabela, ela tem compromisso com o Brasil e com sua biografia.

O entusiasmo dos eleitores para a eleição que se aproxima é pequeno. Reina a desesperança. Os líderes das pesquisas são figurinhas conhecidas de outros carnavais e já não mobilizam grandes contingentes.

O MDB é partido com tradição e tem forte base no interior. É possível que o eleitorado, particularmente o feminino, dê suporte a essas corajosas mulheres e presenteie o povo brasileiro concedendo-lhes o direito de disputar o segundo turno.

E, então, não haverá discurso de ódio, de armas, de desagregação de costumes, de ideologias, de pró ou de anti-família que prevaleça em presença do bom senso dessas senadoras, que poderiam ser nossas mães, esposas, filhas. Sensíveis, educadas firmes e ao mesmo tempo humanas e verdadeiras, que não têm se deixado contaminar pelos vícios da nossa política. Que não roubaram, que não vão roubar.

Algo me diz que a eleição não está decidida e que nossas valorosas senadoras estarão no segundo turno.

E aí tudo pode acontecer, até o melhor!

Crônicas da Madrugada. Danilo Sili Borges. Brasília – Ago. 2022

danilosiliborges@gmail.com

O autor é membro da Academia Rotária de Letras do DF. ABROL BRASÍLIA

Comentários

  1. Danilo - penso exatamente assim - amor e acolhimento - tudo q precisamos - somente 2 bravas e corajosas mulheres serão capazes de nós tirar do mesmismo. Acrescente-se que elas estão sendo assessoradas pelo q temos de melhor na área econômica - Edmar Bacha e Elena landau. Penso e torço para que as pessoas de bem deste país ajudem a inflar está promissora candidatura. Ronaldo carneiro

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

EU TE PERDOO, EU ME PERDOO

SIMONE TEBET E A 3ª VIA

EU, CIDADÃO PORTUGUÊS