LIDERANÇA REGIONAL E TECNOLOGIA

 




Ao lado da consolidação das bases de apoio político e das propostas de criação de meios para evitar que opiniões contrárias ao seu governo, explorando eventuais fragilidades, circulem pelas redes sociais, este aspecto da alçada do Ministro da Justiça, está o presidente Lula, envolvido em conquistar papel de liderança entre os chefes de Estado dos países da América do Sul e Caribe.

O momento lhe é oportuno. Presidente ou ditador de nenhum outro país, dentre os quase 30 da região, dispõe das condições do presidente brasileiro, quer pela sua experiência dos dois mandatos como executivo do Brasil, quer pela safra de colegas sem carisma e sem brilho que estão à frente dos países da região. As mortes de Fidel em Cuba e de Chaves na Venezuela, este substituído por Maduro, sem as qualidades do padrinho, levado por um câncer galopante, deixaram para Lula pista livre, para, montado no colosso brasileiro, com seu PIB de 1,8 trilhão de dólares, fronteira com todos os sul-americanos exceto dois, hoje 10ª economia mundial, as condições para o bem articulado chefe de Estado brasileiro, cocriador do Fórum de São Paulo, ocupar a liderança política da parte sul das américas.

A narrativa que, há muito, se está construindo em torno dele, de que foi prisioneiro político é quase indispensável à criação do perfil de um líder que se propõe a trazer justiça social e proteção aos menos favorecidos. Lula assume o protagonismo e faz isso magistralmente, e vai conquistando, rapidamente espaços.

Na última semana, sua primeira visita oficial foi a uma Argentina quebrada, sem divisas para suas mais comezinhas necessidades. A oferta de financiamentos para a execução de serviços de engenharia por empresas brasileiras foi um colírio para o governo local. A ideia da moeda comum, já reduzida a um protocolo de suporte a transações comerciais sem necessidade do uso do dólar, representou uma boia ao afogado. Propostas para destravar o Mercosul aparentemente não levarão a nada no curto prazo. Bazófia do presidente brasileiro? Certamente que não! Ações semelhantes ele já cometeu no passado.

 Para nós restou a pergunta: Por que financiar obras para os “hermanos”, se por aqui estamos carentes de infraestrutura? A óbvia resposta é, para exercemos a desejada liderança regional. O risco é o calote. Filme que já vimos em outros episódios.

O presidente brasileiro esteve presente à reunião da CELAC - Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos - o grupo dos países americanos, que ao excluir Estados Unidos e Canadá, se admitem inferiores. Novamente Lula esteve no proscênio. Isso é bom para o Brasil? Sim, em condições normais, que a sabedoria popular sintetiza dizendo: “Amigos, amigos, negócios à parte”. Que assim seja!

A pretensão de liderança do Brasil, e por consequência do seu presidente, na parte sul da América é legítima, como já explicado. Mas lideranças têm diversas facetas, ninguém é líder em tudo. Uma delas é a geopolítica, e por aqui, essa ninguém nos pode tirar. Alguns desejos esbarram nas ações expansionistas da China, que é exportadora de bens industriais, de serviços e de ter reservas para financiar suas operações, o que faz com grande competência, resultado da escala de produção e de fatores proporcionados por seu sistema político e econômico. Além disso, o gigante asiático é nosso principal parceiro comercial, do qual temos grande dependência, não sendo prudente confrontá-lo.

A desindustrialização no Brasil é fato conhecido e que aparece nas medições do desempenho econômico do país, e que em resumo poderíamos diagnosticar globalmente como a baixa produtividade industrial, que se traduz numa miríade de fatores, mas que pode ser amenizada, no curto prazo, por medidas rápidas e oportunas, e no longo prazo, por estratégias de desenvolvimento industrial, como política de Estado, ambas as ações,  a serem conduzidas por ações firmes da Ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, tema que engenheira de formação domina sobejamente.

Para dar suporte à feroz concorrência que enfrentamos, e respaldar a liderança política pretendida, dando-lhe consequência, o MCT tem que ouvir os setores industriais e buscar os meios de capacitá-los rapidamente para atualização de seus parques industriais e de processos produtivos compatíveis com a modernidade tecnológica.

No longo prazo, a competitividade da atividade produtiva nacional depende da educação da população e das políticas públicas de valorização do saber. Financiar a ciência e a tecnologia é investimento de retorno certo e de alta rentabilidade. A produtividade do trabalhador é um índice do desenvolvimento da sociedade.

A liderança pretendida pelo nosso país só será efetiva e com frutos, se estivermos em condições de competir com os chineses e outros. Os mercados cada vez mais serão abertos à competência e à produtividade.

A proteção à produção sem concorrência, garantida por portos fechados, começou a ruir em 1808, quando D. João VI chegou por aqui, mas o vício perdura até hoje.

 O exemplo do Uruguai, em não abrir mão do seu tratado de livre comércio com a China, para se enlear nos sinuosos meandros do Mercosul é emblemático.

O tempo é curto. O veloz mundo da evolução tecnológica, que dá suporte ao know-how da atividade produtiva, aguarda com ansiedade as diretrizes da ministra Luciana Santos para saber se vai poder virar o jogo a nosso favor.

 

Crônicas da Madrugada.

Brasília, janeiro 2023

Danilo Sili Borges

danilosiliborges@gmail.com

Membro da Academia Rotária de Letras do DF. ABROL DF

Diretor de Ciências do Clube de Engenharia de Brasília

Comentários

  1. Nós o povo e q devemos dizer o q o governo deve fazer e não o inverso. Penso q novo pacto social provendo a todos nutrição, saúde e educacao c redução de impostos e a solução p desenvolvimento de tecnologia e pleno emprego produtivo
    Conte comigo. Ronaldo carneiro

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